Ao lado de cada parlamentar, em todas as telas, há um número de 0 a 100. Ele não diz que houve irregularidade: diz em que ordem vale a pena olhar. É a soma ponderada de quatro leituras que esta ferramenta já fazia separadas — vínculo societário, padrão do gasto, ficha do fornecedor e forma do documento — e cada ponto vem com a frase que o produziu.
← capa · painel · pares · alertas · anomalias · lista de deputados · glossário
O selo repete o mesmo número em toda tela onde há nome de parlamentar: no painel, no índice das árvores, no dashboard do gabinete, na árvore societária, na lista de deputados e nas páginas de alertas e anomalias. A cor sai de onde o gabinete está em relação ao resto do parlamento — não de um limiar escolhido:
O gasto e os vínculos deste gabinete estão dentro do que é comum no parlamento. Nenhum sinal acima do típico.
de 0 a 9,4 · 258 gabinetes
Algum sinal acima do parlamento típico, ainda longe do topo.
de 9,4 a 15,2 · 126 gabinetes
Vários sinais acima do típico, ou um deles bem acima.
de 15,2 a 21,8 · 78 gabinetes
Convergência de sinais, ou um fato societário confirmado. É onde a checagem começa.
de 21,8 a 70,0 · 50 gabinetes
Os cortes são a mediana, o terceiro quartil e o percentil 90 do próprio parlamento (9,4, 15,2 e 21,8 pontos), calculados sobre os 512 gabinetes em exercício.
Um traço por gabinete em exercício (512 traços), na régua de 0 a 100. As três linhas tracejadas são os cortes do selo: p50 a mediana (9,4), p75 o quarto mais alto (15,2) e p90 o décimo mais alto (21,8).
Repare onde o parlamento fica: a massa está na metade de baixo da régua e o topo real é 70,0, não 100. Chegar a 100 exigiria estar no 1% mais extremo de todos os sinais ao mesmo tempo. A escala não foi esticada para preencher os 100 pontos — esticá-la seria fabricar gravidade.
Quatro componentes, com pesos fixos. Esta é a média do parlamento — a barra de cada gabinete aparece na fila abaixo e na página dele:
■Vínculo e conflito · peso 30 · média 4,8 · 263 gabinetes pontuam■Padrão do gasto · peso 30 · média 16,7 · 355 gabinetes pontuam■Integridade do fornecedor · peso 20 · média 9,2 · 368 gabinetes pontuam■Documento e formalidade · peso 20 · média 12,9 · 362 gabinetes pontuam
Há um quinto componente, regras e limites, que vale zero: seria o único a apontar violação de regra em vez de desvio estatístico, mas depende de três dados que a Câmara não publica em formato aberto — a subcota mensal de cada estado, a lista de despesas vedadas e as datas da janela eleitoral. Ele está declarado na tabela do método, com peso 0, para que a ausência fique visível em vez de sumir na conta.
Os 25 gabinetes em exercício com o maior score. A barra mostra a decomposição — é ela, e não o número, que diz o que aconteceu em cada caso.
| Gabinete | Score | A · B · C · D | Pago pela cota | Razões | ||
|---|---|---|---|---|---|---|
| 1 | Juninho do Pneu RJ · PSDB | 70,0 fato | R$ 1,8 mi | 6 · 3 fato | gasto ↗ | |
| 2 | Átila Lira PI · PP | 54,2 | R$ 1,8 mi | 8 · 2 fato | gasto ↗ | |
| 3 | Wellington Roberto PB · PSD | 41,2 | R$ 1,9 mi | 7 | gasto ↗ | |
| 4 | Rodrigo de Castro MG · UNIÃO | 39,3 | R$ 1,6 mi | 7 · 1 fato | gasto ↗ | |
| 5 | André Ferreira PE · PL | 39,0 | R$ 2,0 mi | 7 · 1 fato | gasto ↗ | |
| 6 | Coronel Ulysses AC · UNIÃO | 38,2 | R$ 2,1 mi | 7 · 1 fato | gasto ↗ | |
| 7 | Damião Feliciano PB · UNIÃO | 36,3 | R$ 1,7 mi | 6 | gasto ↗ | |
| 8 | Dilvanda Faro PA · PT | 36,1 | R$ 1,8 mi | 7 | gasto ↗ | |
| 9 | Ivoneide Caetano BA · PT | 32,9 | R$ 1,8 mi | 6 · 1 fato | gasto ↗ | |
| 10 | Stefano Aguiar MG · PSD | 32,7 | R$ 1,7 mi | 6 · 1 fato | gasto ↗ | |
| 11 | Célio Studart CE · PSD | 31,7 | R$ 1,7 mi | 5 · 1 fato | gasto ↗ | |
| 12 | Vicentinho Júnior TO · PSDB | 30,6 | R$ 1,0 mi | 6 | gasto ↗ | |
| 13 | Marcelo Crivella RJ · REPUBLICANOS | 29,4 | R$ 1,7 mi | 7 · 1 fato | gasto ↗ | |
| 14 | Pezenti SC · MDB | 28,3 | R$ 1,3 mi | 4 · 1 fato | gasto ↗ | |
| 15 | Pompeo de Mattos RS · PDT | 28,2 | R$ 2,2 mi | 6 | gasto ↗ | |
| 16 | José Rocha BA · UNIÃO | 28,2 | R$ 1,5 mi | 8 · 1 fato | gasto ↗ | |
| 17 | Luiz Carlos Busato RS · UNIÃO | 28,0 | R$ 2,0 mi | 7 | gasto ↗ | |
| 18 | Márcio Marinho BA · REPUBLICANOS | 27,3 | R$ 1,7 mi | 5 · 1 fato | gasto ↗ | |
| 19 | Euclydes Pettersen MG · REPUBLICANOS | 27,3 | R$ 1,1 mi | 5 | gasto ↗ | |
| 20 | Clodoaldo Magalhães PE · PV | 27,0 | R$ 1,9 mi | 6 · 1 fato | gasto ↗ | |
| 21 | Igor Timo MG · UNIÃO | 27,0 | R$ 1,7 mi | 5 | gasto ↗ | |
| 22 | Daniel Barbosa AL · PP | 27,0 | R$ 1,7 mi | 4 | gasto ↗ | |
| 23 | Pinheirinho MG · PP | 27,0 | R$ 1,7 mi | 6 · 1 fato | gasto ↗ | |
| 24 | Júnior Mano CE · PSB | 26,4 | R$ 1,6 mi | 6 · 1 fato | gasto ↗ | |
| 25 | Eunício Oliveira CE · MDB | 26,3 | R$ 1,9 mi | 5 | gasto ↗ |
■ A vínculo · ■ B padrão do gasto · ■ C fornecedor · ■ D documento. A marca fato assinala o gabinete cujo número não vem da soma dos componentes e sim de um registro público confirmado — o único caso que a norma da Câmara veda por escrito. Estar na frente da fila não é acusação: é a ordem de checagem.
O número nunca aparece sozinho. Onde ele é mostrado por extenso, vem com a decomposição e com as frases que o produziram — cada uma marcada como fato (registro público verificável) ou sinal (leitura estatística, que pode ter explicação trivial):
O número desta ficha não vem da soma dos componentes, que dá 39,2: vem do fato confirmado, que segura o gabinete em 70,0 independentemente do resto.
O problema de qualquer score é que os sinais não vêm na mesma escala: um é sim/não, outro é um desvio sem teto, outro é um percentual. Somar peso sobre escalas diferentes faz o peso virar enfeite — quem manda no resultado passa a ser a escala escondida de cada sinal. Por isso todo sinal graduado passa pela mesma transformação, e ela sai da distribuição do próprio parlamento:
Zero para quem está no parlamento típico. Ponto cheio no 1% mais extremo. Sinal que quase todo gabinete tem só pontua no excesso — fato raro e verificável não passa por aqui: é binário.
É a diferença entre pontuar a presença e pontuar o excesso. Cruzamento societário existe em 254 gabinetes acima da mediana, e a mediana é 14: pontuar a simples existência do cruzamento seria pontuar a normalidade. Os dois percentis de cada sinal são calculados sobre os 512 gabinetes em exercício e ficam publicados aqui — é o que torna o score auditável por quem discorda dele:
| Comp. | Sinal | Unid. | p50 · não pontua | p99 · ponto cheio | Máximo observado | Gabinetes acima do p50 |
|---|---|---|---|---|---|---|
| A | cruzamentos societários | un | 14,0 | 330,8 | 501,0 | 254 |
| B | share do gasto em documento anômalo | % | 8,8 | 58,4 | 82,5 | 256 |
| B | famílias de anomalia que convergem | de 5 | 1,0 | 3,0 | 4,0 | 172 |
| B | z máximo contra os pares | z | 17,1 | 177,6 | 999,6 | 256 |
| C | share do gasto com sancionado | % | 0,0 | 3,9 | 15,9 | 45 |
| C | share do gasto com cadastro frágil | % | 13,8 | 68,0 | 87,2 | 256 |
| C | fornecedores com CNAE deslocado | un | 0,0 | 3,0 | 4,0 | 200 |
| D | duplicatas por 100 documentos | un | 0,4 | 5,8 | 18,5 | 256 |
| D | gasto em valores redondos | pp | 72,7 | 99,6 | 100,0 | 256 |
Os oito detectores de anomalia não são oito provas independentes. A matriz de coocorrência calculada na página de anomalias mostra pares que acendem juntos muito acima do acaso — dois ângulos do mesmo episódio. Contar detector por detector inflaria a evidência: entre os 101 gabinetes com três ou mais detectores acesos, 63 não passam de duas famílias, e 56 gabinetes com dois detectores têm os dois na mesma família. Por isso o score agrupa:
| Família | Detectores | Coincidem acima do acaso | Gabinetes |
|---|---|---|---|
| valor do documento | par · hist | 2,77× o esperado ao acaso | 180 |
| repartição da despesa | fatia · repet | 2,62× o esperado ao acaso | 176 |
| ritmo do gasto | salto · fim | 2,36× o esperado ao acaso | 119 |
| concentração | conc | maior coincidência 0,59× (com fatia) — abaixo do corte de 2× | 13 |
| geografia | geo | maior coincidência 1,73× (com hist) — abaixo do corte de 2× | 99 |
O agrupamento é decisão declarada; os fatores de coincidência que o justificam saem do mesmo cálculo que a página de anomalias publica.
| Comp. | Peso | Sub-sinal | Peso interno | Gabinetes que pontuam | Média (0–100) |
|---|---|---|---|---|---|
| A · Vínculo e conflito | 30 | parlamentar é sócio de fornecedor do próprio gabinete (fato) | 1,00 | 263 | 4,8 |
| pessoa do círculo societário do parlamentar é sócia de fornecedor (fato) | 0,70 | ||||
| outro deputado é sócio do fornecedor (fato) | 0,50 | ||||
| cruzamentos societários com fornecedores de outros gabinetes (excesso) | 0,20 | ||||
| B · Padrão do gasto | 30 | share do gasto em documentos fora do padrão dos pares ou do histórico | 0,40 | 355 | 16,7 |
| quantas das 5 famílias de anomalia convergem (não quantos detectores) | 0,40 | ||||
| intensidade máxima do desvio (z contra os pares) | 0,20 | ||||
| C · Integridade do fornecedor | 20 | share do gasto com fornecedor sob sanção vigente, em nota posterior à sanção | 0,50 | 368 | 9,2 |
| share do gasto com cadastro frágil: baixado, MEI acima do próprio teto, capital simbólico ou aberto às vésperas da primeira nota | 0,30 | ||||
| fornecedores com atividade econômica deslocada da despesa | 0,20 | ||||
| D · Documento e formalidade | 20 | notas com CNPJ, data e valor idênticos aos de outro gabinete (por 100 docs) | 0,40 | 362 | 12,9 |
| excesso de valores redondos sobre a mediana do parlamento | 0,30 | ||||
| número de nota fiscal repetido em documentos distintos (fato) | 0,30 | ||||
| E · Regras e limites | 0 | teto mensal da cota por estado · despesa vedada · janela eleitoral — sem dado público em formato aberto | — | 0 | 0,0 |
Em A os sub-sinais somam e saturam em 1: um fato basta para o componente cheio. Em B, C e D os pesos internos somam 1 e o componente é a média ponderada.
Duas coisas neste score foram decididas, não calculadas. Ficam declaradas aqui para que se possa discordar do desenho sem precisar discordar dos dados:
O piso existe porque fato e suspeita não podem virar a mesma moeda. Ser sócio da empresa que recebeu da própria cota é registro público e não depende de magnitude — o Ato da Mesa 43/2009 veda usar a cota com empresa de que o parlamentar seja sócio. Diluir isso numa média com sinais estatísticos faria o caso conclusivo sumir; por isso ele não desce de 70 e recebe a marca fato na fila, onde o número deixa de ser a soma dos componentes. Hoje a maior soma ponderada de um gabinete sem fato confirmado é 54,2, então o fato lidera a fila com folga — mas o piso é um número escolhido, não medido: se alguma soma passar de 70, o acúmulo de indício estatístico ficará à frente do registro confirmado, e o piso precisará ser revisto.
Quase todo sinal de gasto público cresce com o volume: quem gasta mais tem mais documentos, mais fornecedores e mais chance de acender qualquer detector. Um score que não trate isso vira um ranking de quem gastou mais, com outro nome. As três correlações de ordem abaixo são o teste:
| Teste | Correlação de postos | Leitura |
|---|---|---|
| score × gasto total do gabinete | 0,290 | fraca: o score não é um ranking de quem gasta mais |
| score × número de documentos | 0,080 | praticamente nula: quem emite mais nota não sobe por isso |
| score × meses de mandato | 0,185 | fraca, mas existe — mandato curto tem menos oportunidade de acender sinal; esses gabinetes ficam marcados como base curta |
Um segundo teste, este vindo da varredura de anomalias: os componentes A e B não estão medindo a mesma coisa. Dos 12 gabinetes com vínculo societário D1/D2, 1 está entre os que acendem três ou mais detectores (8,3%), contra 16,4% dos 633 sem vínculo. A amostra com vínculo é pequena demais para afirmar independência, mas não há sinal de que um componente esteja contando o outro.
E um terceiro, que explica um componente que não existe: dividir fornecedor raro com um gabinete marcado não contagia. Entre os 602 gabinetes ligados pelos 1.088 fornecedores pagos por dois a cinco gabinetes, 17,5% são marcados, contra 17,7% esperados (± 1,4) em 200 sorteios que embaralham os rótulos dentro de cada estado. Resultado nulo — por isso o score não tem componente de contágio pela rede de fornecedores. Vínculo societário é outra pergunta, e essa tem peso.
Ele é uma fila de checagem, montada por computador a partir de dado público. Não afirma irregularidade, não distingue explicação trivial de problema real e não substitui abrir o documento. Quem for afirmar algo a partir daqui precisa abrir a nota antes. O método completo das outras telas está no glossário, e erros podem ser reportados em reportar um erro.