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O que liga dois gabinetes

Para dois ou mais deputados, todos os tipos de relação que a ferramenta consegue mapear entre eles, empilhados, com o grafo de quem está no meio — fornecedores, sócios, empresas — e uma nota de força. A lista abre no que nem UF nem partido explicam, porque é aí que a pergunta “esquerda se liga à direita de um jeito não visto?” tem alguma chance de resposta.

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1.893pares com alguma relação
801que UF e partido não explicam
139desses, com 2+ tipos
18,7%pares esquerda × direita
24,4% ± 1,3%esperado ao acaso, dentro da UF
473dos 512 em exercício aparecem

BEscolher e comparar

Dois caminhos para o mesmo grafo. Escolher deputados: digite um nome, escolha na sugestão, repita — de dois a quatro; com um só escolhido, a lista vira os pares dele; com dois ou mais, o grafo mostra o que liga qualquer dois deles. Filtrar a lista: os filtros valem sempre, com ou sem deputado escolhido, e a lista diz quantos pares eles esconderam. Clique num par e ele vira a escolha. Abaixo do grafo, a relação em frases e a lista dos elementos. Chip vermelho é relação documental (sócio, nota); chip cinza é relação indireta (fornecedor, sócio de fornecedor, contato).

Escolher deputados (2 a 4)

Filtros da lista

tipos de relação, mínimo

deputadofornecedorsócio PFempresa de deputadodinheiro da cota (o fluxo corre do deputado ao fornecedor)vínculo societário ou nota repetidamesmo endereço/tel/e-mail

AA pergunta e a resposta do dado

Dos 512 deputados em exercício, 473 aparecem em pelo menos um par com relação mapeada — 1.893 pares no total. A maioria é explicada pela geografia ou pelo partido: 48,7% dos pares são da mesma UF e 16,4% do mesmo partido. Sobram 801 pares que nem UF nem partido explicam, dos quais 139 têm dois ou mais tipos de relação. É essa a lista que a tela abre.

18,7% dos pares ligam um deputado de esquerda a um de direita; embaralhando o partido de cada um dentro da própria UF, 200 vezes, o esperado seria 24,4% ± 1,3%. Esquerda × direita acontece menos que o acaso — 4,5 desvios abaixo do esperado. A rede de fornecedores segue o estado e, dentro dele, tende a não cruzar o espectro: o partido pesa como barreira, não como ponte. Os 154 pares esquerda × direita que sobram depois do filtro de UF e partido são, portanto, a exceção — e é isso que a tela mostra: não “a esquerda se liga à direita”, mas “estes dois se ligam por isto”.

Tipo de relaçãoparesque UF e partido não explicamesquerda × direitapeso
fornecedor raro em comum1.29142915,9%1 · indicio
sócio em comum entre fornecedores41325919,1%1 · indicio
fornecedores com mesmo endereço, telefone ou e-mail60625823,4%1 · indicio
sócio do deputado é sócio de fornecedor do outro7114,3%3 · fato
deputado é sócio de fornecedor do outro16018,8%3 · fato
deputados sócios entre si110,0%3 · fato
nota fiscal repetida entre os dois320,0%3 · fato

CComo se calcula

Sete tipos de relação entre dois gabinetes, todos lidos de tabelas que o site já produz. Três são fato documental: os dois são sócios na mesma empresa (dep_empresas); um é sócio de fornecedor pago pelo outro (socios_n1 × fornecedor_deputado); um sócio do deputado A, numa empresa dele, é sócio de fornecedor pago por B (socios_dep_emp); e a nota fiscal ressarcida nos dois gabinetes (os casos confirmados do modo nota repetida). Três são indício: fornecedor raro pago pelos dois; pessoa física sócia de um fornecedor de A e de outro fornecedor de B; fornecedor de A e fornecedor de B com o mesmo endereço, telefone ou e-mail.

O filtro de empresa grande é o que faz a lista prestar. Sem ele, os maiores pares esquerda × direita eram todos Localiza: dois gabinetes de MG “compartilhando” quatro diretores da locadora. Regras: o fornecedor conta se tem até 10 gabinetes no mandato e o gabinete pagou pelo menos R$ 10.000; a pessoa física conta se é sócia de até 15 empresas; endereço compartilhado por mais de 8 CNPJs (prédio, contabilidade) não conta. São os únicos limiares digitados, junto com os pesos: 3 para fato, 1 para indício. A força do par é a soma dos pesos das relações; a ordem da lista é primeiro por número de tipos, depois por força.

“Nem UF nem partido explicam” é um filtro, não uma nota: UF diferente e partido diferente. Preferi não inventar uma fórmula de surpresa: o teste nulo dos 200 sorteios já diz o quanto o espectro pesa no agregado, e o filtro isola os pares em que nem a UF nem o partido respondem. Se quiser uma nota, ela tem de sair de um modelo declarado (quantos pares esperar entre A e B dado o tamanho dos gabinetes, a UF e o ramo), não de pesos escolhidos.

FLimites

  • Relação não é irregularidade. Dois gabinetes de UFs diferentes pagando a mesma produtora de vídeo em Brasília é o normal do mercado de comunicação parlamentar; a lista ordena o que olhar, não o que concluir. A mesma frase do selo do score vale aqui.
  • Sócio em comum depende da Receita estar atualizada (base de julho de 2026) e da pessoa ter CPF mascarado consistente; homônimos com a mesma máscara existem.
  • Contato em comum tem falso positivo estrutural: escritório de contabilidade, coworking, prédio comercial. O teto de 8 CNPJs por chave tira o pior, não tudo.
  • A lista é de pares, não de grupos. Três gabinetes que dividem o mesmo operador aparecem como três pares; o grafo de sistemas do painel continua sendo a tela do grupo.
  • Esquerda, centro e direita são a mesma convenção declarada (lista de 22 partidos, sem fonte citável). Só entram no filtro e no teste nulo; não mudam a força.