Cada regra, cada fonte e cada limite do que você vê nas outras telas. Os números desta página são recalculados a cada atualização do site, do mesmo dado que alimenta os painéis.
← capa · painel · score · pares · alertas · anomalias · lista de deputados · reportar um erro
Este site organiza um dado que já é público: cada nota que os gabinetes apresentaram para serem reembolsados pela cota parlamentar. Ele aponta padrões incomuns. Padrão incomum não é crime, nem sequer irregularidade — é um lugar onde vale a pena olhar o documento.
Nenhum número aqui prova desvio. Um fornecedor recém-aberto pode ser uma gráfica nova; duas empresas no mesmo endereço podem dividir o contador; um gasto muito acima da mediana pode ser um estado grande e distante de Brasília. O que a ferramenta faz é reduzir 759 mil documentos ao punhado que merece uma conferência humana — e, sempre que possível, apontar o PDF original.
Não há apuração jornalística por trás de cada indicador, nem contato prévio com os gabinetes. Quem for usar isto para afirmar algo precisa abrir o documento antes.
A Câmara dos Deputados tem 513 cadeiras. Ao longo deste mandato, porém, 647 pessoas ocuparam alguma delas: além dos 513 em exercício hoje, 102 suplentes assumiram durante licenças, 14 titulares estão licenciados e 18 deixaram a cadeira — por assumir uma prefeitura, renunciar, perder o mandato ou falecer. A ferramenta cobre as duas coisas: abre nos 513 em exercício e tem seletor para incluir os demais.
O período vai de fevereiro de 2023 a agosto de 2026 — 43 meses de competência.
A 57ª legislatura tomou posse em 1º de fevereiro de 2023. Janeiro de 2023 ainda é mandato da legislatura anterior, a 56ª, e a própria Câmara o contabiliza lá: na página oficial de gastos, o filtro da 56ª legislatura no ano de 2023 devolve um único mês.
Isso importa porque quase metade dos deputados de hoje já estava na Câmara em janeiro de 2023. Contar o gasto de janeiro deles seria misturar dois mandatos — e inflaria o total do site em relação à fonte oficial.
| Ano | Câmara (oficial) | Este site | Diferença |
|---|---|---|---|
| 2023 | R$ 232.967.820,22 | R$ 232.949.308,35 | R$ -18.511,87 |
| 2024 | R$ 254.473.080,18 | R$ 254.466.992,48 | R$ -6.087,70 |
| 2025 | R$ 244.635.633,51 | R$ 244.634.578,22 | R$ -1.055,29 |
| 2026 | R$ 124.690.994,26 | R$ 124.689.138,73 | R$ -1.855,53 |
| Total | R$ 856.767.528,17 | R$ 856.740.017,78 | R$ -27.510,39 |
A diferença é de 0,0% do total, e vem do intervalo entre a data em que baixamos os arquivos e a data da consulta: a Câmara corrige documentos depois de publicá-los. Não é diferença de método.
Cada parlamentar com gasto de cota no período tem duas páginas — o painel de gastos e a árvore societária dos fornecedores. São 645 pessoas. Os demais não aparecem porque não apresentaram nenhuma despesa na janela do mandato: um deputado em exercício hoje não usou a cota desde a posse, e um suplente nunca chegou a usá-la. A contagem de cadeiras da capa continua sendo a oficial, 513, porque é um fato sobre a Câmara e não sobre este site.
A lista de quem é da 57ª legislatura vem da API da Câmara (/deputados e /deputados?idLegislatura=57), gravada em deputados_mandato.csv. Atenção a duas armadilhas dessa API: a consulta por legislatura devolve mais linhas do que pessoas, porque o mesmo deputado repete quando troca de partido ou de UF; e o campo ultimoStatus.situacao continua marcando "Exercício" para quem já saiu. Quem está em exercício hoje só se obtém de /deputados sem filtro.
O corte temporal é por competência (numAno/numMes), não por data de emissão — uma nota emitida em janeiro pode ter competência de fevereiro. A regra vive em src/mandato.py e vale para todos os leitores do CEAP.
São R$ 856.740.017,78 em 759.559 documentos, distribuídos em 21 categorias de despesa. Os valores são líquidos: já estão descontados R$ 4.261.277,33 de glosa — a parte que a Câmara recusou reembolsar.
A mesma página oficial que traz a cota traz também a verba de gabinete, que paga os secretários parlamentares, e o auxílio-moradia. São ordens de grandeza maiores e não estão neste site. Comparar um total daqui com um total de lá sem checar de qual verba se trata é o erro mais fácil de cometer.
| Tipo | Valor | % do total | Documentos |
|---|---|---|---|
| Nota fiscal | R$ 561.525.200,44 | 65,5% | 407.876 |
| Recibo | R$ 218.231.169,57 | 25,5% | 120.602 |
| Nota fiscal eletrônica | R$ 75.004.047,04 | 8,8% | 230.410 |
| Exterior | R$ 1.979.600,73 | 0,2% | 671 |
A distinção importa: recibo não tem a mesma rastreabilidade de uma nota fiscal. Ao ler qualquer número deste site como “notas fiscais”, confira antes esta tabela.
Fonte: arquivos anuais da cota em camara.leg.br/cotas/Ano-AAAA.csv.zip, atualizados diariamente pela Câmara. Valor = coluna vlrLiquido; glosa = vlrGlosa; tipo = indTipoDocumento (0 nota fiscal, 1 recibo, 2 e 3 exterior, 4 nota fiscal eletrônica). Linhas sem ideCadastro são de lideranças partidárias, não de gabinetes individuais, e ficam fora.
Nada aqui é dado próprio. São cinco bases públicas, baixadas inteiras, cruzadas por identificador — nunca por nome — e recalculadas a cada atualização do site. O caminho de qualquer número de qualquer tela começa em uma das cinco caixas da primeira coluna.
Cinco fontes públicas à esquerda; o que a ferramenta monta em cima delas; o que é calculado; e as telas onde isso aparece.
passe o mouse ou toque em uma caixa
Todas são públicas e abertas: os endereços abaixo baixam exatamente o mesmo dado que a ferramenta usa, sem cadastro nem chave de acesso.
Entre 28 e 30 de agosto de 2026, o arquivo de 2026 perdeu R$ 1,85 milhão em registros de complementação de auxílio-moradia — enquanto a página oficial de gastos ainda os contabilizava. Datas de coleta diferentes produzem totais um pouco diferentes, e nenhum dos dois está errado.
Arquivo anual da cota → só as linhas com o ideCadastro dele e competência a partir de fevereiro de 2023 → soma de vlrLiquido, já líquida de glosa → comparação com a mediana dos demais gabinetes → a página do deputado. 43 meses, 759.559 documentos no conjunto.
CNPJ que recebeu da cota → cadastro e quadro societário na Receita (73.659 sócios no primeiro nível) → CPF do parlamentar confirmado no TSE → se ele próprio é sócio, é D1; se um sócio dele é sócio de lá, é D2 → árvore, painel e capítulo de vínculos. Hoje: 12 parlamentares.
Listas CEIS e CNEP baixadas inteiras (10.261 CNPJs) → cruzamento pelos oito primeiros dígitos do CNPJ com os 38.950 fornecedores da cota → 65 fornecedores em 144 gabinetes → selo com link para o registro oficial no Portal da Transparência.
A cada publicação, o site é reconstruído inteiro nesta ordem: composição da Câmara → cota por gabinete e por fornecedor → cadastro e sócios na Receita → CPF e candidatura no TSE → sanções → árvores → páginas de deputado → índices → painel → capa e capítulos → glossário → mapas de busca. Nenhuma tela guarda número escrito à mão: se a fonte muda, a tela muda junto.
Duas coisas ficam congeladas entre publicações e estão declaradas na seção J: a base da Receita é a versão de julho de 2026, e as listas de sanção são a fotografia do dia do download. Empresa aberta, fechada ou com sócio trocado depois disso aparece desatualizada.
Dizer que um gabinete gastou muito só faz sentido contra alguma referência. O site usa a mediana dos demais deputados — o valor do meio da fila —, e não a média, que uma única despesa enorme distorce. Cada gabinete recebe também seu percentil: em que posição da fila ele está, de 0 a 100.
Quem exerceu o mandato por poucos meses não entra na comparação anual, para não aparecer artificialmente barato. Comparações por categoria e por estado existem porque um deputado do Amazonas e um de Brasília não gastam passagem aérea da mesma forma.
Entram no benchmark anual os gabinetes com ao menos 10 meses de despesa no ano (em 2026, ao menos 7, porque o ano está incompleto). Para os recortes por categoria e por UF, exige-se mandato quase completo. São calculados mediana, 1º e 3º quartis, posição e percentil.
O Ato da Mesa 43/2009 veda ao deputado usar a cota para pagar empresa de que ele próprio seja sócio. O site procura dois graus disso:
Hoje o recorte reúne 12 parlamentares. Antes de afirmar qualquer vínculo, o CPF do parlamentar é confirmado no TSE — homônimo é comum, e um nome igual não basta.
A árvore de cada deputado vai a dois níveis: os sócios dos fornecedores e os sócios desses sócios. O segundo nível gera muitos cruzamentos, e a maior parte não significa nada: redes de postos de combustível e de hotéis fazem dois gabinetes sem qualquer relação aparecerem ligados.
Só 82,8% do valor (R$ 709,6 mi) foi pago a um CNPJ identificável — são 38.710 fornecedores. R$ 118,8 mi não trazem identificador nenhum no arquivo, quase tudo em “passagem aérea - sigepa”, e R$ 28,4 mi foram pagos a pessoa física. Sobre essa fatia, nenhuma análise societária é possível.
O grafo do painel mostra um recorte por vez. Cada um responde a uma pergunta diferente e sugere um tipo diferente de irregularidade — algumas graves, outras que não são irregularidade nenhuma.
| Recorte | O que mostra | O que pode indicar | Nós |
|---|---|---|---|
| Vínculos societários | 12 parlamentares pagaram fornecedores ligados a eles ou aos sócios deles. | Contratar a própria empresa com dinheiro da cota. Vedado pelo Ato da Mesa 43/2009. | 52 |
| Nota repetida | 4 notas fiscais foram ressarcidas em dois gabinetes ao mesmo tempo. | Um gabinete recebeu com a nota de um colega. Confirmado no PDF. | 12 |
| Deputados sócios entre si | Parlamentares que são sócios uns dos outros em empresas. | Não é irregular. Mapeia interesse econômico comum dentro da Câmara. | 9 |
| Sobrenome em comum | Fornecedores cujo sócio divide sobrenome raro com o parlamentar. | Empresa de parente, que a regra da cota não alcança. Homônimo é falso positivo. | 83 |
| Nasceram com o mandato | 150 fornecedores abertos depois da posse já receberam R$ 39 mi. | Empresa criada para captar a cota. Há nota emitida no dia da abertura do CNPJ. | 301 |
| Grupos econômicos | 25 grupos de CNPJs ligados por sócio ou contato em comum. | Concentração disfarçada: um grupo faturando por dezenas de gabinetes. | 517 |
| Operadores | 60 pessoas ou holdings sócias de 3 ou mais fornecedores da cota. | Intermediação: uma pessoa por trás de vários fornecedores dos mesmos gabinetes. | 118 |
| Fornecedores compartilhados | Fornecedores quase exclusivos, de 2 a 10 gabinetes. | Círculo de gabinetes com a mesma estrutura, sem explicação de UF ou de partido. | 1.167 |
| Mesmo endereço/tel/e-mail | Fornecedores “distintos” que dividem endereço, telefone ou e-mail. | Laranjas ou conluio. Falso positivo comum: escritório de contabilidade. | 527 |
| Pares inter-UF | Gabinetes de estados diferentes com os mesmos fornecedores raros. | Gastos operados em conjunto — a geografia não explica o compartilhamento. | 176 |
Vínculos societários. Contratação de empresa do próprio parlamentar (D1) ou de empresa ligada aos sócios dele (D2) — o Ato da Mesa 43/2009 veda pagar fornecedor de que o deputado seja sócio. É o modo mais grave; cada caso exige verificação documental.
Nota repetida. Irregularidade já confirmada: dois gabinetes foram ressarcidos pelo MESMO documento fiscal, ou seja, um deles recebeu com a nota de um colega. Só entram aqui casos verificados no PDF — o erro de digitação foi descartado antes.
Deputados sócios entre si. Não é irregular em si. Mapeia interesses econômicos comuns dentro da Câmara — famílias e sociedades entre gabinetes — que ganham relevância quando cruzam com votações, emendas ou fornecedores em comum.
Sobrenome em comum. Possível contratação de empresa de parente (nepotismo indireto), que a regra da cota não alcança quando o sócio não é o próprio deputado. Como o vínculo é inferido por sobrenome raro, homônimos geram falso positivo — verificar cartório/Junta antes de qualquer conclusão.
Nasceram com o mandato. Empresa possivelmente criada para captar a cota: quanto menor o nº de dias até a 1ª nota (há notas emitidas no MESMO dia da abertura do CNPJ), mais forte o sinal — sobretudo combinado com cliente único e ramo de divulgação.
Grupos econômicos. Concentração disfarçada: um mesmo grupo recebendo de dezenas de gabinetes sob CNPJs diferentes. Pode ser rede legítima (postos, hotéis); o sinal é grupo de ramo discricionário (divulgação, consultoria) com muitos gabinetes.
Operadores. Uma mesma pessoa ou holding por trás de vários fornecedores da cota. Atenção quando as empresas de um operador atendem os MESMOS gabinetes — padrão compatível com intermediação ou fracionamento de faturamento.
Fornecedores compartilhados. Círculos de gabinetes usando a mesma estrutura de fornecedores quase exclusivos. Natural entre aliados da mesma UF ou partido; o sinal é o círculo SEM explicação geográfica ou partidária.
Mesmo endereço/tel/e-mail. Red flag clássica de laranjas ou conluio: empresas formalmente independentes operando do mesmo lugar. Falso positivo comum: escritório de contabilidade que registra dezenas de clientes no próprio endereço — checar caso a caso.
Pares inter-UF. Gabinetes de estados diferentes contratando os mesmos fornecedores raros — a proximidade geográfica não explica o compartilhamento. Pode indicar operação conjunta de gastos entre gabinetes (parentes e aliados aparecem primeiro).
Nas árvores societárias, cada fornecedor pode receber alertas automáticos a partir do cadastro da Receita. Nenhum deles é acusação: são condições que, somadas, dizem onde olhar.
No painel, quatro selos resumem análises estatísticas por gabinete: CNAE deslocado (o ramo do fornecedor não costuma atender aquela categoria de despesa), valores redondos (quase todo o gasto discricionário em múltiplos de R$ 100), outliers (documentos muito acima do padrão da categoria) e nota repetida (o mesmo documento fiscal aparecendo em dois gabinetes).
CNAE deslocado: a divisão do CNAE do fornecedor responde por menos de 0,5% do valor daquela categoria no país — ou é holding/associação — e recebeu ao menos R$ 10 mil. Valores redondos: ao menos 99% do gasto discricionário acima de R$ 500 em múltiplos de R$ 100. Outliers: documentos acima do percentil 99,5 da categoria e de ao menos R$ 5 mil, com três ou mais ocorrências. Nota repetida: mesmo CNPJ, número, data e valor em outro gabinete — e só entram os casos conferidos no PDF.
A página de alertas descreve os onze, um a um: o que cada um apura, em que fonte, o que pode indicar, o que não prova — e quais gabinetes marca. A página de anomalias vai por outro caminho: em vez de uma regra violada, mede quanto cada gasto se afasta dos gastos comparáveis, pela mediana e pelo desvio absoluto mediano.
569 dos gabinetes cobertos registraram candidatura na eleição geral de 4 de outubro de 2026, segundo o TSE. O selo aparece no painel, no índice das árvores e na página de cada deputado. Candidatura com renúncia não recebe selo, e o registro pode ainda estar sob julgamento.
Dessas, 565 foram confirmadas por CPF. As outras 4 foram identificadas apenas por nome de urna único no estado, e aparecem sinalizadas como não confirmadas — trate-as como provisórias.
Achou um número errado, uma leitura que não se sustenta, ou conferiu um documento? Escreva. Correção entra na próxima atualização; limite novo vira linha desta página.